18.12.13

Livros ao Vento#19 - O Eco do Machado

 
 




Autor (a): Fábio Mota
Editora: Dracaena
Ano: 2012
Nº de Páginas: 214
Nota:
***
*Sinopse (retirada do Skoob):
Em Brasília, um assassino acaba de extirpar os testículos de mais um padre, fazendo sua terceira vítima. Para chegar até o assassino, o experiente delegado da Polícia Federal, Diego Padavona, espera poder contar com a ajuda do professor doutor KérsonKunt, especialista em História Medieval, e tio do primeiro suspeito. Para isso, Padavona viaja até a cidade do Rio de Janeiro para se encontrar com o excêntrico Dr. Kérson, com quem o sobrinho Rangel passou a morar depois que uma tragédia acometera a família Kunt, seis anos atrás. As palavras do Dr. Kunt, no entanto, não parecem dignas de confiança.Suas dicas sobre a personalidade do sobrinho são enigmáticas e só fazem aumentar o suspense; segui-las, pode não ser o melhor caminho a tomar. Mais uma vez Diego Padavona se vê diante de um assassino em série, mas desta vez restam poucas informações ao delegado, que terá de desvendar o mistério e encontrar o assassino o mais rápido possível, antes que mais um padre apareça morto.

“Então alguns conceitos vêm a sua cabeça, conceitos como verdade e autenticidade, coragem e fortaleza, luta e amor – parou em amor, porque ele jamais havia acreditado em amor, pelo menos não naquele amor que a todos deslumbra. Nunca havia nem gostado dessa palavra tão simples e tão estrondosa, para ele tudo isso nunca passara de mitologia hipócrita, algo falso, apenas fingimento.”
Pg.56

*Resenha:
Um assassino misterioso matou quatro padres em Brasília (sendo um deles no Rio de Janeiro). Seus corpos são encontrados com uma única marca que liga o assassino de um ao outro: todos sofreram emasculação (cirurgia que tira o pênis e os testículos). Os padres assassinadosforam acusados de pedofilia no passado, mas se safaram da prisão. Será uma obra de um maníaco querendo extinguir essa escoria da sociedade ou um simples ato desconhecido de Deus?
 Enquanto a cidade começa a entrar pouco a pouco no caos, o delegado da Polícia Federal de Brasília, Diego Padavona, está no encalço desse assassino. Ele sabe que não pode deixar esse sujeito matar mais pessoas “inocentes” e se safar ileso, pois esse caso tem o poder de destruir a sua carreira (ou alavancar) a sua carreira dentro da polícia. Contando com a ajuda de Lucy Lacerda, Diego vai atrás do único suspeito de cometer esses crimes bárbaros: Ragel Kurt.
 Ragel cresceu numa família de cristãos fervorosos. Tendo uma irmã mais velha, que seguia todas as regras impostas pelos pais, ele queria saber somente de brincar. Ragel era uma criança especial; ele podia ler vários livros em pouco tempo e com temática que adultos demoravam meses (ou anos) para compreender. Por isso, ele tinha um grande carinho pelo tio, e historiador, Kérson Kurt. Até que Rangel completou 13 anos e foi abusado sexualmente pelo padre Moisés Ribeiro (primeiro padre assassinado).
 Diego entra em contato com historiador Kérson e os dois passam a ter encontros quase que diários. Diego não tem dúvidas de que foi o Ragel que matou os padres para se vingar do abuso que sofreu no começo da adolescência. Kérson ajudar a polícia nas investigações, mas com a garantia de que o seu sobrinho saía vivo desse episódio.
Oppa. Mais um padre desapareceu. E agora Diego? O que você vai fazer?
***
 Olá peregrinos. Como vocês estão? Bom, eu estou bem. J
 O livro hoje resenhado foi cedido em parceria com o autor Fabio Mota. Foi o primeiro livro que li de parceria com autores e fiquei um pouco receoso de fazer a resenha, mas vamos ao que interessa né?
 Em O Eco do Machado, nos deparamos com a personalidade de dois protagonistas que são “quase” antagônicos.
 Diego Padavona é um delegado que no trabalho transmite profissionalismo ao extremo (e isso me admirou). Ele não se abre da sua vida pessoal e consegue o que quer de qualquer maneira mesmo que tenha que passar por cima de alguns sinais e pessoas, mas tudo dentro da lei.
 Anos atrás, no começo do relacionamento do seu relacionamento amoroso com sua esposa Julia, Diego recebeu a noticia de que ela era esquizofrênica. Essa notícia foi como um soco no estômago seguido de uma bofetada na cara. Julia teve algumas crises, mas com poucas frequências e Diego sempre tentouacalmá-la, principalmente nos momentos em que ela dizia que alguém a chamava ou quando ela começava a falar sozinha (sinais da doença se manifestando).
 Nesse ponto, o autor soube muito bem abordar a doença, pessoal. Eu desconhecia sobre essas crises da esquizofrenia. Para ser sincero, eu nunca havia pesquisado nada sobre adoença e fiquei feliz pela escolha do autor porque me fez pesquisar sobre ela para saber mais. Nunca se sabe quando teremos um amigo esquizofrênico ou um parente, né?
 Diego sofria mentalmente todo santo dia. Ele imaginava a sua vida sendo estragada por ter que cuidar da Julia a todo o momento. Ele queria largar ela, mas sabia que não conseguiria, pois a amava. Por várias vezes, ele chorou e perguntou a Deus o que ele fez para merecer tamanho castigo. Mas os dois continuaram juntos e sua relação durava mais de vinte anos.
 Nessas passagens de tempo onde o Diego fala sobre a Julia, percebemos que o autor usa um toque poético em suas frases. Acabamos vendo todo o capítulo como um poema e isso foi outro ponto positivo para o autor (mesmo arriscado, pois as frases poéticas podiam se tornar “cafonas” e estragaria o enredo por completo).
 O outro protagonista do livro é o Ragel. Esse garoto sofreu tanto que se torna até delicado falar sobre ele. Não consigo vê-lo como um vilão da história, mas sim como vítima Ele pode ser, até certoponto, o vilão, mas ele tinha as suas justificativas e eu, por nenhum momento, fui contra elas.
 Rangel cresceu seguindo dogmas católicos. Todos queriam que ele fosse perfeito. O único que o entendia, de verdade, era o seu tio Kérson. Ele cresceu tendo acesso ao imenso acervo de livros do tipo (inveja básica no ar). Ele lia todos os tipos de livros e Kérson sabia que o sobrinho era uma criança especial.
 Aos 13 anos, Ragel foi abusado pelo padre do seu bairro (creio eu). Como consequência, o seu pai matou a sua irmã, mãe e em seguida se suicidou. Ragel só se salvou da fatalidade porque estava na casa do tio. Depois do episódio trágico, ele passou a ser criado pelo tio e aos 18 anos foi embora sem dar explicações.
 Quando Diego Padavona passa a interrogar Kérson Kurt, vemos que o tio quer ajudar nas investigações, mas tem medo que algo de ruim (como a morte) aconteça ao sobrinho caso ele seja o culpado. Então, Diego concorda um acordo (feito por Kérson) de que nada de fatal vai acontecer a Ragel caso ele seja encontrado. Mas Ragel não é um garoto comum.
 O enredo da obra é muito gostoso de ler. Li o livro em dois dias sem sentir doeresna vista nem nada (isso geralmente acontece quando leio livros com folhas nada convencionais para possibilitar a leitura por longas horas de tempo). Fazia um tempinho que não lia um livro policial tão bom e tenho orgulho de saber que a obra foi escrita por um brasileiro. Isso demonstra que nossa escrita nacional melhorou e que temos ótimos autores espalhados por esse país imenso.
 Os únicos lados negativos do livro que me fizeram dar nota “4” foram os nomes dos personagens que apareciam completos (com nome e sobrenome) e isso tornava a história um pouquinhochatinha. Eu, particularmente, li somente o primeiro nome deles, mesmo estando escrito o sobrenome. O outro lado negativo foi que nos dois últimos capítulos, tive a impressão que o Fábio Mota estava correndo/acelerando na história. Parecia que queria acabar logo o livro ou que o livro tinha que terminar nas exatas 214 páginas. E também não entendi o título do livro. Só vi uma frase mencionando machado. Fora isso eu não tenho nada a declarar de negativo da obra.
 A edição feita pela editora Dracaena é muito linda. Nunca tinha lido um livro impresso por eles. As páginas são amareladas e a fonte e espaçamento são perfeitos para proporcionar uma leitura ainda mais rápida. A capa do livro é muito intrigante e linda. Só tenho que agradecer ao Fábio por confiar em mim para fazer uma resenha de sua obra. Cara, você me fez ter as melhores horas da minha vida. Sem sombra de dúvidas vou reler e reler o seu livro até decorar cada frase. Rsrsrsrs... Espero que você lance, logo, outra obra e tentarei ler o seu primeiro livro baseado na vida de Nietzsche (que é um dos filósofos que eu mais admiro). Abraços e sucesso para a sua carreira.
 Então, é isso, peregrinos. Gostaram da resenha? Comentem. Deixe a sua opinião. Já leram? Vão ler? Tem dúvidas? O seu comentário é muito importante e enriquecer para o blog. Compartilhem, se possível, a resenha nas redes sociais para ajudar na divulgação da obra.

Jaataamashita (Até Logo) *-*
 

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2 comentários:

  1. Eu adoro livro assim, com bastante suspense, investigações, crimes...acho até que é meu estilo favorito. Adorei a capa. Gostaria muito de poder ler em 2014.

    Beijo, Van- Blog do Balaio
    http://balaiodelivros.blogspot.com.br/

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  2. Eu gostei da resenha. Também não sei muito sobre esquizofrenia, mas já pesquisei o assunto por causa de outro livro do tipo. Só que não aprendi nada sobre a doença porque li um monte de artigos que se contradiziam.

    Eu gosto muito de livros policiais, sempre fico naquele fogo de descobrir o que vai acontecer e leio tudo rapidinho. Um dos melhores gêneros!

    Ótima resenha Bruno!

    Ps: respondi seu e-mail, espero que ajude ^^

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